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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O vinho acabou

Por: Elben M. Lenz César

É muito singela a história da transformação de 480 litros de água em vinho da melhor qualidade, acontecida durante os festejos de um casamento realizado em Caná da Galiléia, logo no início do ministério de Jesus. Sabedora do constrangimento pelo qual estava passando a família do noivo, a mãe de Jesus se aproximou dele e lhe disse: “O vinho acabou”. Depois, aproximando-se também dos desnorteados serventes lhes ordenou: “Façam o que Ele mandar”. A Jesus, Maria não deu ordem alguma. Apenas comunicou o fato: “Acabou o vinho”.

Aqui está um precioso modelo de oração. Embora Deus saiba de tudo que nos ocorre, é muito saudável mencionar nas preces as diferentes situações embaraçosas que nos acontecem, quase sempre de surpresa.

Em algumas situações, podemos procurar o Senhor e segredar-lhe humildemente: “Acabou o ânimo”, “Acabou o pão”, “Acabou a alegria”, “Acabou a paciência”, “Acabou a esperança”, “Acabaram os recursos”, “Acabou o amor” e assim por diante.

Essas são orações sem rodeio, que mencionam o âmago do problema, corajosas, sinceras, humildes. Essas orações significam uma exposição da alma, da angústia que está até então presa lá dentro. É uma confissão: “Acabou o vinho”.

Uma vez introduzido na questão alheia, Jesus age, dá ordens, toma providências. No caso das bodas de Caná, Ele mandou fazer duas coisas: “Encham de água os seis potes de pedra” e “Tirem um pouco de água destes potes e levem ao dirigente da festa” (Jo 2.1-12). Embora fosse apenas um convidado, e não o noivo nem o pai do noivo, nem o mestre de cerimônias nem um dos serventes, Jesus foi obedecido e a água se transformou em vinho, melhor que o anteriormente servido.

Se Jesus solucionou um problema de etiqueta social, não resolveria problemas mais sérios, envolvendo as necessidades físicas, as necessidades emocionais e as necessidades morais?

Você precisa da bem-aventurada ousadia para confessar sempre que necessário: “Acabou o vinho”!

Fonte: Revista Ultimato (edição 268)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Jesus, o Salvador

"Ele se tornou a fonte da salvação eterna para todos os que lhe obedecem." [Hebreus 5.9, NTLH]

O desejo de ser salvo deveria ser o maior anseio do ser humano. Só não é quando a pessoa não está ciente da perdição eterna ou quando não leva tal condição a sério.
A salvação é uma só e torna perfeitamente possível o rompimento da condenação eterna, da morte eterna, do fogo eterno (Jd 7), da vergonha eterna (Dn 12.2), do abismo eterno, da destruição eterna (2Ts 1.9), do juízo eterno (Hb 6.2), das algemas eternas (Jd 6), do castigo eterno (Mt 25.16), da ira eterna, das penas eternas.

A posse da salvação modifica profundamente a condição atual e futura do pecador. Todas as desgraças eternas se transformam em vida eterna, que começa agora e não depois da morte. João usa o tempo certo: “Quem crê no Filho tem (no presente e não no futuro) a vida eterna” (Jo 3.36).

A expressão “vida eterna” contrasta com “morte eterna” e aparece quase cinquenta vezes no Novo Testamento, especialmente nos escritos de João. Ela pode ser sinônimo de “redenção eterna” (Hb 9.12) e de “salvação eterna” (Hb 5.9).

Estou absolutamente seguro da minha salvação eterna por meio de Jesus!

Retirado de Refeições Diárias com Jesus (Editora Ultimato, 2010)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Uma revelação de amor

"Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores." [Romanos 5.8]

Como crer no amor de Deus quando parece haver tantas evidências em contrário? O apóstolo Paulo declara em Romanos 5 duas razões principais pelas quais podemos estar seguros de que Deus nos ama. A primeira é que ele “derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu” (v. 5). A segunda é que “Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” (v. 8). Então, como podemos duvidar do amor de Deus? Muitas vezes ficamos perplexos com as tragédias da vida. Mas Deus tem provado o seu amor para conosco por meio da morte de seu Filho e o derramado em nosso coração por meio do dom do Espírito. De maneira objetiva na história e de modo subjetivo na experiência, Deus nos tem dado boas razões para crermos em seu amor. A integração do ministério histórico do Filho de Deus (na cruz) com o ministério contemporâneo de seu Espírito (em nosso coração) é uma das características mais benéficas e prazerosas do evangelho.

O que a Bíblia faz não é resolver o problema do sofrimento, mas dar-nos a perspectiva correta a partir da qual enxergá-lo. Assim, sempre que estivermos dilacerados pela angústia, podemos escalar o monte Calvário e, daquele mirante único e privilegiado, examinar cuidadosamente as calamidades da vida. O que torna o sofrimento insuportável não é tanto a dor que o acompanha, mas o sentimento de que Deus não se importa.

Nós o imaginamos se espreguiçando em uma poltrona no céu, indiferente aos sofrimentos do mundo. É essa caricatura caluniosa de Deus que a cruz quebra em pedaços. Devemos vê-lo não em uma poltrona confortável, mas na cruz. Pois o Deus que permite que soframos sofreu uma vez em Jesus Cristo e continua a sofrer hoje conosco. Há ainda uma marca de dúvida sobre o sofrimento humano, mas sobre ela nós colocamos ousadamente uma outra marca — a cruz de Cristo.

Para saber mais: Romanos 8.28-39

Retirado de A Bíblia Toda o Ano Todo (Editora Ultimato, 2007)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Deus não tem pressa

Deus não tem pressa. Aliás, desconfio que ele não tenha relógio. Mas, ao contrário do que possa parecer, a frase "deus tarda, mas não falha" também não lhe diz respeito.

Acompanhe o que talvez seja a segunda proposta de trabalho de Deus ao homem. É bom lembrar que a primeira — feita a Noé —, da ideia à realização, levou não menos do que cem anos. Agora, trata-se de um projeto novo. Uma espécie de PAC (Plano Ancestral de Crescimento) da humanidade: "Quando Abrão estava com noventa e nove anos de idade o Senhor lhe apareceu e disse: ‘Eu sou o Deus todo-poderoso; ande segundo a minha vontade e seja íntegro. Estabelecerei a minha aliança entre mim e você e multiplicarei muitíssimo a sua descendência’" (Gn 17.1-2).

O leitor sabe do que Deus está falando. E não é a primeira vez que o Todo-Poderoso toca no assunto. Cinquenta anos antes, Deus havia sugerido uma mudança radical na vida do velho e manso Abraão. E, até agora, nada. Mas Deus repete as suas intenções.

Aqui, volto ao argumento inicial. Nós temos pressa — necessidade intensa de alcançar um objetivo. Não nos contentamos com o “enquanto”. A travessia não nos interessa, queremos chegar “lá”. No entanto, Deus não é assim. Ou você faria um contrato de longo prazo com alguém de 99 anos de idade? Mas, ao conversar com Abraão, como se fosse necessário, Deus relembra também quem ele [Deus] é. Depois, como se falasse a um bando de adolescentes com hormônios à flor da pele, reclama obediência e integridade. E, por último, com fina ironia, fala dos seus planos, claro, para o futuro...

Deus não tem pressa. Melhor, Deus tem tempo. E, graças a ele, mesmo sem saber exatamente que horas são, nós cabemos nos seus planos. Nesses dias corridos e em meio aos imprevistos, não há melhor consolo do que escutar: “Ainda dá tempo”... (Sl 90). Nas palavras de C. S. Lewis, "a Deus pertence o nosso futuro, não importa se o deixamos em suas mãos ou não".

Por: Marcos Bontempo / Fonte: www.ultimato.com.br

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Combustível adulterado

DEUS NOS criou: inventou-nos como um homem inventa uma máquina. Um carro que tenha sido feito para ser movido a gasolina não funciona direito com outro tipo de combustível. E Deus projetou a máquina humana para funcionar à base dele mesmo. Ele é o combustível do qual os nossos espíritos devem se alimentar. Não há nenhum outro.

Eis por que não é bom pedir a Deus que nos faça felizes do nosso próprio jeito, sem nos preocuparmos com a religião. Deus não pode nos dar felicidade e paz fora de si mesmo simplesmente porque não existem desse modo. Não há nada parecido com isso.

Eis aqui a chave de toda a história. Gasta-se uma energia enorme, civilizações inteiras são construídas, instituições excelentes são arquitetadas; mas toda vez acontece algo errado. Algum defeito fatal sempre leva pessoas egoístas e cruéis ao topo e tudo cai novamente na miséria e na ruína. De fato, a máquina está trabalhando sob solavancos. Ela até parecia ter dado a partida com tudo funcionando e ter andado alguns quilômetros, mas depois quebrou.

Estavam tentando fazê-la funcionar com o combustível errado. Foi precisamente isso que Satanás fez em nós, seres humanos.

– de Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples]

Retirada de Um Ano com C. S. Lewis (Editora Ultimato, 2009)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Não quero ser misericordioso só comigo!

A partir de hoje, com a ajuda de Deus, vou ser tão misericordioso com os outros como tenho sido comigo mesmo. Todos temos a mesma natureza pecaminosa. Todos carregamos a mesma bagagem pecaminosa. Deixarei de condenar os outros e perdoar a mim mesmo. Porei um fim nessa tendência de buscar atenuantes para o meu pecado e agravantes para o pecado alheio. Farei isso não para diminuir o peso do meu pecado ou o peso do pecado do outro. Colocarei o dedo em riste para ele e para mim. Enaltecerei a graça de Deus para mim e para ele. Afinal, os dois salmos exatamente iguais (Salmos 14 e 53) dizem: “Todos se extraviaram e juntamente se corromperam”.

Devo essa mudança não só à Palavra e não só ao Espírito. Tenho lido alguns depoimentos que me abriram os olhos. Sêneca, contemporâneo de Jesus e conselheiro de Nero, dizia que todos somos perversos: “O que um reprova no outro, ele o achará em seu próprio peito, [pois] vivemos entre perversos, sendo nós mesmos perversos”. O moralista inglês Samuel Johnson, autor de “A Vaidade dos Desejos Humanos” (1749), explicou que “cada qual sabe de si mesmo o que ele não ousa contar ao seu mais íntimo amigo”.

Uma das declarações mais enfáticas sobre o assunto é da lavra do escritor americano William Saroyan: “O homem mau deve ser perdoado todos os dias. Deve ser amado porque alguma coisa de cada um de nós está no pior homem do mundo e alguma coisa dele está em cada um de nós. Ele e nós somos ele. Nenhum de nós é separado de qualquer outro. A prece do camponês é minha prece; o crime do assassino é o meu crime”.

O médico francês Maurice Fleury confessa: “Depois de percorrer todos os escaninhos da alma humana, cheguei a uma conclusão: tenhamos piedade uns dos outros”. Já o escritor sérvio Vidosav Stevanovic faz bem em lembrar que “o mal, como o bem, faz parte da condição humana. [Portanto], antes de combater o mal nos demais, cada um deve combatê-lo no interior de si mesmo”.

O esforço que estou resolvido a fazer de hoje em diante é uma consequência natural daquele conselho de Jesus de remover primeiro a viga que está em meu próprio olho para, depois, remover o pequeno cisco que está no olho dos outros (Mt 7.1-5). Já que preciso de mais misericórdia do que quem tem o cisco, por que perder a paciência com o próximo? Por que cobrar mais dele do que de mim? Por que não perdoar, se eu fui perdoado? Que o Senhor me ajude!

Fonte: Ultimato

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Posição errada

"Cuidado para não serem levados pelos erros de pessoas imorais [...]. Porém continuem a crescer na graça e no conhecimento do nosso Senhor." [2 Pedro 3.17-18]

Somos de Cristo. Esta é uma posição absolutamente segura. Marca o fim do que era velho e o início do que é novo (2Co 5.17). Deus “nos libertou do poder da escuridão e nos trouxe em segurança para o Reino do seu Filho amado” (Cl 1.13). Por termos recebido a Cristo e crido nele, ganhamos o direito de nos tornarmos filhos de Deus (Jo 1.12). “E herdaremos as bênçãos que ele guarda para o seu povo e também herdaremos com Cristo o que Deus tem guardado para ele” (Rm 8.17).

A posição é tão segura e maravilhosa, que em todo o universo não há nada que “pode nos separar do amor de Deus, que por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor: nem a morte nem a vida, nem os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais: nem o presente, nem o futuro; nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo” (Rm 8.38-39). Perder esta posição é perder o que há de mais seguro em nossas vidas, a única bagagem que nos acompanha na morte. É jogar fora o que há de mais precioso e causa maior honra em toda a nossa existência humana.

Pedro nos faz ainda uma última exortação: é preciso tomar cuidado para não cair de nossa posição segura nem deixar de crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Retirada de Devocionais Para Todas as Estações (Editora Ultimato, 2009).

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Necessidades básicas

“Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir”. [Mateus 6.25]

A adoção aparece no Sermão do Monte como a base da vida de fé, isto é, a vida de confiança em Deus para a provisão das necessidades materiais de todo aquele que busca o reino de Deus e sua justiça.

Creio ser desnecessário observar que uma pessoa pode viver uma vida de fé sem ter de renunciar a um bom emprego, embora alguns sejam chamados a fazer isto. No entanto, todos os cristãos são chamados a uma vida de fé, no sentido de seguir a vontade de Deus a qualquer custo, confiando-lhe todas as conseqüências.

E mais cedo ou mais tarde, todos são tentados a colocar seu status e segurança, em termos humanos, acima da lealdade ao chamado de Deus. Então, se resistirem a essa tentação, serão imediatamente tentados a se preocupar com as prováveis conseqüências de sua decisão, principalmente quando seguir a Jesus os obrigar a perder parte da segurança ou prosperidade que, de outro modo, poderiam desfrutar.

Aos que são tentados dessa forma em sua vida de fé, Jesus oferece a verdade da adoção (a certeza da adoção na família de Deus) de modo que possam suportar a tentação.

Retirada de “O Conhecimento de Deus ao Longo do Ano” (Editora Ultimato, 2008) / Texto adaptado

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Direitos dados pelo Criador e direitos inventados pela criatura

1. Nas premissas bíblicas não há elementos capazes de autorizar o domínio do homem sobre outros homens, à exceção do domínio próprio, que é o domínio do homem sobre si mesmo.

2. Ao se conceituar adequadamente pecado, percebe-se que pecado é sempre uma alteração da ordem estabelecida por Deus, não necessariamente ordem (mandamento), mas ordem (equilíbrio), embora o mandamento seja o principal agente mantenedor do equilíbrio.

3. Pode-se observar que todos os indivíduos das espécies animais criados por Deus situam-se no binômio macho e fêmea, e a mesma atração que atua entre o homem e a mulher os atrai entre si. No rompimento desse equilíbrio está o gérmen em potencial da extinção de uma espécie.

4. Mais do que um dom, a sexualidade é um direito, e os direitos do homem são flagrantemente reconhecidos por Deus: “a César o que é de César” (Mt 22.21). Todavia, os direitos inventados pelo homem são de sua responsabilidade.

5. Quando homens e mulheres deixam-se alterar em sua identidade sexual, não importa quando, como ou por que, só existe um caminho para reassumi-la. Alterações da natureza transformam-se em amarras de tamanha resistência que não podem mais ser rompidas pelas pessoas, nem pela medicina, senão por um poder maior: “Se, pois, o Filho [de Deus] vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36).

6. A humanidade encontra-se em processo irreversível de solidão. Quanto mais promíscua é uma pessoa, maior a solidão que ela acumula, porque a solidão é diretamente proporcional à sua incapacidade de amar.

7. A famosa expressão “amor livre”, tão em voga modernamente, de amor só tem o rótulo.

8. Na ótica do Criador só existem dois seres capazes de se formar uma só carne. O problema, portanto, não é ser ou não homossexual, mas estar ou não estar homossexualizado.

9. No plano criador de Deus, ninguém é homossexual.

Celso Milan é funcionário aposentado do Banco Central e escritor. As frases acima foram retiradas com sua permissão do seu mais recente livro Conceituação - temas polêmicos, p. 55.

[Nota do blog: Texto extraído da Revista Ultimato de Setembro-Outubro/1998, mas bem propício aos nossos dias. Fonte www.ultimato.com.br]

sábado, 18 de setembro de 2010

Dois remédios para as desculpas

HÁ DOIS remédios para esse perigo. Um deles é lembrar que Deus conhece todas as desculpas legítimas muito melhor do que nós. E se, de fato, existem “circunstâncias atenuantes”, não precisamos ter medo de que elas passem despercebidas diante Dele. Deus deve conhecer muitas desculpas que nem sequer imaginamos. Portanto, depois da morte, as almas humildes terão a grata surpresa ao saber que em certas circunstâncias elas pecaram muito menos do que estavam pensando. Todo o processo de perdão real é por conta dele. O que temos de apresentar diante de Deus é aquele restinho indesculpável, que se chama pecado. Ficar discutindo sobre todas aquelas partes que poderiam (supomos) ser perdoadas é perda de tempo. Quando você vai ao médico, você fala das partes que estão com defeito – digamos, por exemplo, um braço quebrado. Seria perda de tempo ficar explicando que as suas pernas, olhos e garganta estão bem. Você pode até estar errado na sua suposição, mas, se eles realmente estiverem em ordem, o médico o saberá.

O segundo remédio é acreditar real e verdadeiramente no perdão dos pecados. Grande parte da nossa preocupação em dar desculpas vem de não conseguirmos realmente acreditar no perdão, de acharmos que Deus poderá nos rejeitar se não ficar satisfeito e que podemos tirar algum tipo de vantagem da situação em nosso favor. Mas isso não seria nenhum perdão. O perdão real significa olhar com firmeza para o pecado (o montante de pecado que restou sem qualquer desculpa), depois de apresentadas todas as circunstâncias atenuantes, e encará-lo em todo o seu horror, sujeira, falta de sentido e malícia, e, ainda sim, conseguir reconciliar-se totalmente com o homem que o praticou. É isso e somente isso que significa o perdão, e podemos obtê-lo de Deus sempre que lhe pedirmos.

– de The Weight of Glory [Peso de Glória]

Retirado de Um Ano com C. S. Lewis (Editora Ultimato, 2005).

domingo, 15 de agosto de 2010

Ateus lucram em cima da crença alheia nos EUA

Um grupo de ateus nos Estados Unidos criou um serviço ideal para religiosos que acreditam no arrebatamento: eles se oferecem para cuidar dos bichos de estimação dos religiosos em troca de uma pequena taxa.

Todos os ateus registrados no site Eternal Earth-Bound Pets são pecadores e blasfemos confessos, garantindo que serão deixados para trás quando os escolhidos forem selecionados.

O modelo de negócio é uma tentativa irreverente de lucrar às custas da crença — espalhada entre os cristãos americanos — de que os pios serão carregados ao paraíso por Deus em um arrebatamento repentino, deixando descrentes para sobreviver a sete anos no reino do anti-Cristo na Terra,

“Você dedicou sua vida a Jesus. Você sabe que será salvo. Mas quando o arrebatamento vier, o que acontecerá com seus amados bichos de estimação que serão deixados para trás?”, pergunta o site do grupo.

“Eternal Earth-Bound Pets tira esse peso da sua consciência.”

Por 110 dólares, a firma promete cuidar pela vida toda de quase todos os bichos de estimação domésticos se seus donos forem transportados para o paraíso dentro dos próximos dez anos.

A oferta pode soar forçada ou até mesmo provocativa, mas o grupo insiste que não é brincadeira. Ele alega que possui uma rede de ateus amantes de animais espalhados por 20 estados para garantir velocidade e cuidado animal no local quando o arrebatamento ocorrer, e estabeleceu uma conta no Paypal para receber assinaturas.

Os fundadores também garantem aos crentes que seus animais irão desfrutar de uma excelente qualidade de vida: “Todos os animais viverão em casas amáveis, não em um canil ou oficina de animais.”

E enquanto a companhia promete que todos os ateus cuidadores sejam pessoas morais com ficha criminal limpa, afirma que eles não são tão santos.

“Cada um de nossos representantes afirmou para nós por escrito que eles são ateus, não acreditam em Deus nem em Jesus, e que eles blasfemaram de acordo com Marcos 3:29, negando qualquer chance de salvação”, afirma o website.

Mas os consumidores em potencial são advertidos a lerem os termos e condições antes de abrir mão de US$ 110,00; se o assinante perder sua fé ou não for arrebatado em 10 anos, eles não poderão receber um reembolso.

Tradução de Telegraph.co.uk / Fonte: Ultimato

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A cultura e a comunicação do evangelho

Por: Florencio de Ataídes

A palavra “cultura” pode ser entendida como costumes, língua e tradições de um povo. Ou seja, é resultado de comportamentos que um grupo herda de seus antepassados, transmitindo-os às gerações seguintes. A cultura não é estática, mas dinâmica, pois novos costumes e valores são assimilados constantemente. Segundo David J. Hesselgrave, “a cultura constantemente se transforma em decorrência das inovações, das pressões internas e dos empréstimos transculturais” (“A Comunicação Transcultural do Evangelho”, p. 86). Essas mudanças não acontecem abruptamente -- são um processo que leva algum tempo.

A cultura pode chocar-se com os conceitos bíblicos, constituindo-se num problema para missionários. O trabalho transcultural requer sensibilidade diante dos costumes e rituais do povo, distinguindo aquilo que é demoníaco e o que é cultural.

Quando o missionário considera a sua cultura superior àquela do povo com o qual está trabalhando, surgem barreiras intransponíveis e os prejuízos são irreparáveis! É preciso ter interesse pela cultura do povo, imergindo nela para compreender e contextualizar a mensagem do evangelho, para que haja uma comunicação adequada e sem prejuízo ao seu conteúdo. O Pacto de Lausanne entende que “o evangelho não pressupõe a superioridade de nenhuma cultura sobre a outra, mas avalia todas as culturas de acordo com o seu critério de verdade e justiça, insistindo nos absolutos morais de cada cultura” (“O Evangelho e a Cultura”, p. 73). O antropólogo Paul G. Hiebert afirma que “por causa do pecado do homem, todas as culturas também possuem estruturas e práticas pecaminosas” (“O Evangelho e a Diversidade das Culturas”, p. 33).

O papel do missionário não é mudar a cultura do povo com o qual está trabalhando, mas levar o evangelho em sua essência, apenas orientando os convertidos e ensinando-lhes o puro evangelho de Jesus Cristo. Essa é a sua tarefa primordial; o resto é trabalho de Deus!

Florencio de Ataídes é pastor da Igreja Presbiteriana Renovada, diretor da Escola de Missões Priscila e Áquila, bacharel em teologia pelo SPR, licenciado em história pela Fatema, pós-graduado em filosofia pela UCG e mestre em missiologia pelo CEM.

Fonte: Ultimato

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Gregos e troianos

Poderia alguém ser puro com balanças desonestas e pesos falsos? (Mq 6.11)

Não dá para colocar na mesma mesa o pecado e a pureza. São coisas diametralmente opostas. Uma repudia a outra.

Aqueles que não querem renunciar totalmente ao gosto pelos prazeres transitórios nem ao ideal de santidade estão numa situação confusa, indeterminada, indefinida, irreverente e, além de tudo, inadmissível. É isso que Miquéias quer demonstrar ao povo de Jerusalém: “Poderia alguém ser puro com balanças desonestas e pesos falsos?”.

Muitas outras perguntas dessa natureza podem ser feitas. Por exemplo: Poderia alguém ser puro com mãos sujas de sangue? Com língua mentirosa? Com olhos adúlteros? Com débitos não saldados? Com coração cheio de ódio?

Outro profeta enfrentou situação semelhante senão mais grave. Em sua época, Israel queria agradar a gregos e troianos, queria garantir o apoio de Deus e de Baal. Então Elias o enfrentou fazendo a seguinte pergunta: “Até quando vocês vão oscilar [ou dançar, ou escorregar, ou coxear, ou claudicar] para um lado e para o outro?” (1 Rs 18.21).

Com o auxílio de Deus não vou capengar entre o bem e o mal. Ficarei de um lado só — o lado certo!

Retirado de Refeições Diárias com os Profetas Menores (Editora Ultimato, 2004).

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Por fora e por dentro

Se, porventura, o sumo sacerdote, dentro do Santo dos santos, no Dia da Expiação, levantasse a tampa da Arca da Aliança para ver as duas tábuas de pedra que continham os Dez Mandamentos, o vaso de ouro que continha o maná e o bordão de Arão que havia florescido -- ele veria que aquela arca sagrada era revestida de ouro puro não só por fora, mas também por dentro. Por ordem de Deus, foi exatamente assim que Bezalel, o superdotado artífice do tabernáculo a fez, como se lê no livro de Êxodo: Bezalel fez a arca de 1,10 metro de comprimento e 70 centímetros de largura e altura e “revestiu-a de ouro puro por dentro e por fora” (Êx 37.2).

Se, muitos anos depois, no tempo de Jesus, alguém fosse à casa de algum membro do partido dos fariseus, em Jerusalém, e pedisse um copo d’água e um prato de comida, logo perderia a sede e a fome. Pois o copo e o prato que estavam reluzentes na cristaleira achavam-se limpos por fora e sujos por dentro. A denúncia não é de nenhum guarda da saúde pública, mas do próprio Jesus Cristo, e a preocupação não é com a limpeza de copos e pratos, mas com a limpeza do caráter. Os fariseus eram artífices da hipocrisia, eram sepulcros caiados, “bonitos por fora, mas por dentro cheios de ossos e de todo tipo de imundície” (Mt 23.25-28).

Jesus teve muito mais paciência com mulheres de conduta sexual confusa do que com qualquer exibição de virtude ou sentimento inexistentes. Ele chegou a amaldiçoar uma figueira por causa de sua aparência enganosa: tudo indicava que a árvore tinha frutos, quando, de fato, nenhum figo foi achado nem colhido (Mc 11.12-14).

O juízo de Deus é muito mais frequente e severo quando o pecado se chama hipocrisia. O escritor Josué Montello acertou em cheio quando disse que “todos temos duas personalidades: a verdadeira e a social, que nem sempre rimam uma com a outra”. Quando a rima não acontece, Deus certamente provocará o escândalo necessário, ou no presente momento (o que é muito melhor) ou no juízo vindouro (o que será irreversivelmente trágico). Foi isso que ele prometeu fazer com Israel na época de Manassés (696 a.C.): “Limparei Jerusalém como se limpa um prato, lavando-o e virando-o de cabeça para baixo” (2Rs 21.13). Em outra expressão equivalente, Deus ameaça a grande cidade de Nínive: “Vou levantar o seu vestido até a altura do seu rosto. Mostrarei às nações a sua nudez e aos reinos, as suas vergonhas” (Na 3.5).

O livro de Provérbios denuncia a estratégia de ocultar o coração mau com lábios amistosos. Seria como colocar uma camada de esmalte sobre um vaso de barro (Pv 26.23). Nosso modelo deve ser a Arca da Aliança, revestida de ouro puro tanto por fora como por dentro!

Fonte: Ultimato

segunda-feira, 10 de maio de 2010

In necessariis unitas, in dubiis libertas, in omnibus caritas

No essencial, unidade; no secundário, diversidade; em todas as coisas, caridade.
-- Lema dos morávios

Dois jovens morávios souberam que numa ilha no leste da Índia havia 3 mil escravos pertencentes a um ateu britânico. Sem permissão de ir para lá como missionários, eles decidiram se vender como escravos e usar o dinheiro para pagar as passagens para a ilha. No dia da partida, suas famílias estavam reunidas no porto, sabendo que jamais os veriam outra vez. Quando o barco estava se afastando, os dois rapazes gritaram: “Que através das nossas vidas o Cordeiro que foi imolado receba a recompensa por seu sacrifício”.

A Igreja dos Morávios começou com John Huss no final do século 14 e estabeleceu uma comunidade na Saxônia chamada Herrnhut, onde, no século 17, houve um avivamento a partir de uma reunião de oração ininterrupta, 24 horas por dia, sete dias por semana, que durou 100 anos.

Os primeiros missionários morávios foram um oleiro e um carpinteiro, enviados para o Caribe em 1732. Trinta anos depois, centenas de missionários haviam seguido para muitas partes do mundo, como o Ártico, a África e o Oriente, sustentando-se com suas profissões. Em Labrador, eles compraram navios e ensinaram atividades produtivas ao povo, levando o evangelho e melhoria de vida. No Suriname, atuaram no comércio, criando alfaiatarias, fábricas de relógios e panificadoras. Sua influência econômica crescia juntamente com a influência espiritual.

“A contribuição mais importante dos morávios foi a ênfase na ideia de que todo cristão é um missionário e deve testemunhar por meio de sua vida diária. Se o exemplo dos morávios tivesse sido estudado mais cuidadosamente por outros cristãos, é possível que o homem de negócios pudesse ter retido seu lugar de honra na missão cristã em desenvolvimento, além do pregador, do professor e do médico”, afirmou William Danker.

Por: Enedina Sacramento, casada, seis filhos, é membro do Comitê Gestor da Interserve Brasil-CEM. / Fonte: Ultimato

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Uma palavra fora de uso

Os neopentecostais aposentaram o advérbio “talvez”. E muitos tradicionais estão fazendo o mesmo. É claro que as promessas de Deus são para valer. A questão é que as promessas de Deus são condicionais e nunca se sabe com certeza absoluta se a pessoa que deseja se apropriar de algum favor divino satisfez plenamente a condição imposta. Deus promete perdão e purificação “se confessarmos os nossos pecados” (1 Jo 1.9). Mesmo que o penitente diga que fez a confissão exigida, alguma coisa ainda fica no ar. E se a confissão dele for de boca para fora? Certamente não será perdoado nem purificado. Resta ainda a questão da soberania de Deus, que precisa ser respeitada. Não posso prometer cura a todo doente que, em nome de Jesus, pede para ser curado, porque “havia muitos leprosos em Israel no tempo de Eliseu, o profeta; todavia, nenhum deles foi purificado — somente Naamã, o sírio” (Lc 4.27).

Promessas não cumpridas são uma desmoralização para o evangelho. Promessas irresponsáveis, mirabolantes, sensacionalistas e vulgares são a escola que forma céticos e ateus, e são muitos os que foram diplomados por ela. Quais são os culpados?

É muito prudente recolocar a palavra “talvez” em nosso vocabulário. Isso não significa falta de fé. Ao contrário, significa humildade e submissão. A freqüência do vocábulo em questão nas Escrituras Sagradas é impressionante.

Daniel disse a Nabucodonosor, rei de Babilônia: “Renuncia a teus pecados [...] e à tua maldade e tem compaixão dos necessitados. Talvez, então, continues a viver em paz” (Dn 4.27). O capitão do navio prestes a naufragar entrou na cabine de Jonas e lhe disse: “Levante-se e clame ao seu deus! Talvez ele tenha piedade de nós e não morramos” (Jn 1.6). Amós apelou a Israel: “Odeiem o mal, amem o bem; estabeleçam a justiça nos tribunais. Talvez o Senhor, o Deus dos Exércitos, tenha misericórdia do remanescente de José” (Am 5.15).

Sofonias fez a mesma exortação de Amós: “Busquem a justiça, busquem a humildade; talvez vocês tenham abrigo no dia da ira do Senhor” (Sf 2.3). Pedro advertiu a Simão, o Mago, aquele que pretendeu comprar com dinheiro o poder de impor as mãos sobre os outros para receberem o Espírito Santo: “Arrependa-se dessa maldade e ore ao Senhor. Talvez ele lhe perdoe tal pensamento do seu coração” (At 8.22).

Vamos ter mais respeito com o santo nome de Deus e usar mais o formidável “talvez” em nossas conversas, em nossos atendimentos e em nossas pregações!

Fonte: Ultimato / www.eusoudecristo.com