Cadastre seu e-mail:

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Cristo, Adão e Israel

Por: Mark Dever

Uma das principais lições que o antigo Israel nos ensina é que seres humanos caídos, entregues a si mesmos, não podem refletir a imagem de Deus — embora tivessem as vantagens da lei, da terra e da presença de Deus. Como deveríamos, todos nós, ser humilhados pela história de Israel! Somente Deus pode refletir a sua própria imagem, e somente Ele pode nos salvar do pecado e da morte.

Por isso, Ele enviou seu Filho para nascer “em semelhança de homens” (Fp 2.7). Esse Filho amado, em quem o Pai teve prazer, submeteu-se completamente ao governo ou ao reino de Deus. Ele fez o que Adão não fez — resistiu à tentação de Satanás. “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4), disse Jesus ao tentador, quando jejuava no deserto.

Jesus fez também o que Israel não fez. Ele viveu totalmente de acordo com a vontade e a lei do Pai: “Nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou” (Jo 8.28; ver também Jo 6.38; 12.49). Esse Filho que vivenciou plenamente a imagem de seu Pai podia dizer ao discípulo Filipe: “Quem me vê a mim vê o Pai” (João 14.9).

Tal Pai, tal Filho.

Olhando para trás, os autores das cartas do Novo Testamento se referiram a Ele como “a imagem do Deus invisível” (Cl 1.15) e o “o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3). Na qualidade de último Adão e o novo Israel, Jesus Cristo redimiu a imagem de Deus no homem.

E Cristo não somente refletiu a gloriosa santidade de Deus, por meio da obediência à lei, mas também demonstrou a gloriosa misericórdia e amor de Deus, ao morrer na cruz em favor dos pecadores, sofrendo a penalidade da culpa que eles mereciam (Jô 17.1-3).

Este sacrifício substitutivo de Cristo era algo para o qual o Antigo Testamento apontou durante toda sua história. Pense nos animais que foram mortos para cobrir a nudez de Adão e Eva, depois de haverem pecado. Pense na maneira como Deus providenciou um carneiro nos arbustos para Abraão e Isaque, salvando assim Isaque. Pense em José, o filho que foi sacrificado e mandado embora por seus irmãos, de modo que um dia se tornasse mediador para a nação. Pense nas pessoas de Israel passando o sangue de um cordeiro nas portas de suas casas, a fim de pouparem os filhos da morte.

Pense nas famílias israelitas que traziam suas ofertas ao átrio do templo, colocavam as mãos sobre a cabeça do animal e cortavam sua garganta — “O sangue derramado do animal é meu”. Pense no sumo sacerdote entrando no Santo dos Santos, uma vez por ano, para oferecer um sacrifício de expiação por todo o povo. Pense na promessa do profeta Isaías: “Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5).

Tudo isso e muito mais apontava para Jesus, que foi à cruz como o cordeiro sacrificial de Deus. Conforme Jesus disse aos seus discípulos, no cenáculo, Ele foi à cruz para estabelecer uma “nova aliança” no seu sangue [Mt 26.28; Mc 14.24; Lc 22.20; 1Co 11.25], em favor de todos os que se arrependeriam e creriam.

Extraído da obra de Mark Dever, “O que é uma Igreja saudável?” (p.39) – Editora Fiel.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Perguntas que equilibram as emoções

Por: Ricardo Barbosa de Sousa

Vivemos um tempo em que é muito fácil perder o equilíbrio emocional e espiritual. Uma dificuldade que muitos cristãos enfrentam é aceitar a realidade e responder a ela apropriadamente. Nossas reações emocionais emergem da forma como pensamos sobre a vida e os acontecimentos. Não são as realidades externas que nos perturbam, mas o julgamento que fazemos sobre elas. Sobretudo, a forma como cremos que Deus participa delas.

O apóstolo Paulo, em carta aos cristãos que viviam na capital do Império Romano, faz quatro perguntas retóricas que nos ajudam a construir uma estrutura espiritual capaz de produzir em nós sentimentos e atitudes verdadeiros diante das diferentes situações e experiências.

Primeira pergunta: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”. Sabemos que existem muitas coisas “contra nós”. Existem acidentes, doenças, mortes. Existem crises econômicas e políticas. Existem fofocas, mentiras, calúnias, traições. Paulo não está afirmando que nada disso vai acontecer conosco. Acontecem com todos os santos. Podemos sofrer as frustrações de um divórcio, a angústia da demissão ou a desilusão em relação aos amigos. Tudo isto atua “contra nós”. Porém, a pergunta de Paulo é: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”.

Como reagimos emocionalmente a estas situações? Fugindo? Vitimando-nos? Responsabilizando os outros? Duvidando de Deus? A verdade que compõe a estrutura espiritual de Paulo é que Deus é por nós. O Deus Criador de todas as coisas, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, é por nós. Paulo estava seguro desta verdade, e tal convicção moldava seu pensamento e, conseqüentemente, seus sentimentos e emoções.

Segunda pergunta: “Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?”. A ansiedade é um dos grandes males do nosso tempo. Porém, quando achamos que estamos perdendo alguma coisa, Paulo nos convida a perguntar: Se na cruz Deus nos deu o melhor, por que o medo de perder algo? Confiamos que ele nos dará tudo de que precisamos? A verdade que sustenta a vida de Paulo é: o Deus que nos deu o que tinha de mais precioso não deixará de nos dar nada que nos seja necessário.

Como reagimos emocionalmente ao sentimento de que algo está faltando? Davi responde: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará”. Como Paulo, ele confiava no Deus que ama e supre cada uma de nossas necessidades.

Terceira pergunta: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?”. Somos constantemente afligidos por sentimentos de culpa. Para Paulo, se Cristo nos justifica, quem pode nos condenar? O veredicto que ele apresenta não é baseado no que temos feito, mas no que Cristo fez. As pessoas podem nos acusar, cobrar ou condenar, mas isto pode mudar alguma coisa? O único que de fato pode nos acusar é o mesmo que nos justifica.

O nosso maior problema não são os outros, somos nós. Uma grande liberdade emocional nasce do simples fato de nos fazer esta pergunta: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?”.

Quarta pergunta: “Quem nos separará do amor de Cristo?”. Aqui Paulo fala de situações que podem nos fazer sentir que Deus se esqueceu de nós. Tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada -- situações que ele viveu. São experiências com grande potencial de nos fazer sentir abandonados. De onde vêm estes sentimentos? Destes eventos ou do que pensamos sobre eles? Podem estas circunstâncias nos separar do amor de Cristo? Para Paulo, não.

Nossas respostas aos fatos não são determinadas por eles, mas pelo julgamento que fazemos deles. Se julgarmos que uma provação tem o poder de nos afastar do amor de Deus, certamente nos afastará. Se julgarmos que alguém pode levantar uma acusação contra nós e nos fazer sentir culpados, certamente isto acontecerá. Fazer tais perguntas não muda as circunstâncias, mas muda a forma como as vemos ou julgamos. Ao fazê-las, adquirimos uma perspectiva correta e amadurecemos nossos sentimentos.

• Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. Fonte: Ultimato, edição 322.

domingo, 10 de novembro de 2013

As testemunhas de Jesus no tempo e no espaço

De ontem até hoje, do marco zero aos confins da terra...

João Batista
Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim. A graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou. [Jesus] é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! (Jo 1.15, 17, 18, 29).

João
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai (Jo 1.1, 3, 14).

Pedro
Abaixo do céu não existe nenhum outro nome [além do nome de Jesus] pelo qual importa que sejamos salvos (At 4.12).

Paulo
[Jesus] é a revelação visível do Deus invisível; ele é superior a todas as coisas criadas (Cl 1.15, NTLH).

Lutero (1483-1546)
Fora de Cristo todo o mundo se encontra em pecado, condenação e maldição, juntamente com toda a sua obra e todo o seu saber. O propósito de Jesus é levar o pecador deste mundo para a vida eterna.

Calvino (1509-1564)
A tarefa da igreja visível é tornar visível ao mundo o reino invisível de Cristo.

A. G. Simonton (1833-1867)
Jesus realmente pagou o preço de nossa redenção. Este fato é de toda importância, pois é a base sobre a qual assenta o edifício da fé.

C. S. Lewis (1898-1963)
Jesus é uma pessoa real, aqui e agora. Não se trata apenas de um homem bom que morreu há dois mil anos. Trata-se de um homem vivo, que é igualzinho a você e a mim, e que, ao mesmo tempo, continua sendo tão Deus quanto era quando criou o mundo. Ou Jesus era e é o Filho de Deus ou então era um louco ou algo pior.

John Stott (1921-2011)
O sacerdócio de Jesus é permanente porque sua eficácia é eterna. Depois de ter concluído seu sacerdócio na cruz pelos nossos pecados, ele se assentou à direita do Pai -- sua obra redentora tinha sido consumada. A certeza do perdão vem do descanso e da alegria pela obra consumada por Cristo na cruz.

J. I. Packer (1926-)
Quando se tornou carne, Jesus não deixou de ser Deus; não era menos Deus agora do que antes. Não era Deus “menos” alguns elementos da deidade, mas sim Deus e “mais” tudo aquilo que acrescentou a si mesmo ao se tornar humano.

N. T. Wright (1948-)
O que Jesus conquistou com sua morte e ressurreição é a base, o modelo e a garantia do propósito final de Deus: livrar o mundo completamente do mal e estabelecer sua nova criação de justiça, beleza e paz. E desde o início fica claro que não se trata apenas de um alvo distante, que se deve aguardar em expectativa passiva. Em Jesus, o futuro de Deus penetrou no presente, e a tarefa da Igreja é implementar essa conquista e assim antecipar esse futuro.

Fonte: Ultimato, edição 322.