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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Esperança

Por: Rubem Amorese

O nascimento de Jesus concretizou e realizou a antiga esperança de Israel de que Deus visitaria seu povo, que se manifestaria como Emanuel. E que, por essa causa, novamente se afirmaria entre eles: “o teu Deus reina”. Por isso, com o Advento  já não se espera mais; a promessa foi, finalmente, cumprida. Proponho uma imagem para a esperança. A imagem de uma pérola aninhada em uma ostra. Ela foi, inicialmente, um doloroso cisco, a machucar, interiormente, a ostra. Com o tempo, entretanto, o molusco envolveu o corpo estranho e o transformou nesse objeto precioso.

O apóstolo Paulo nos diz, em 1Co 13, que quando todas as virtudes passarem, apenas três sobreviverão: a fé, a esperança e o amor. Pensemos na fé e no amor como as cascas duras da concha, que proporcionam o ambiente em que a pérola da esperança vai crescer.

A carapaça da fé é essencial para a esperança. Sem fé teríamos, na melhor das hipóteses, um crédulo otimismo ou pensamentos positivos. Mas a fé é fundamento para a esperança porque vê além do alcance. A fé permite que a esperança penetre em regiões celestiais, que invada dimensões do impossível, do jamais realizado, do impensável.

A fé na Palavra de Deus se apropria de promessas; confia em exemplos antigos; orienta-se por sabedoria aprovada. A fé dá passos no escuro e realiza no coração o que ainda não é. E assim, com tais mecanismos de certeza, transforma-se em nutriente e proteção para a esperança.

Nada mais seguro e aconchegante, por outro lado, que o amor incondicional do Pai, revelado no advento. Nada mais significante que a declaração de que somos seus filhos amados; de que ele está disposto a mover céu e terra por nós. É por isso que Paulo nos ensina que podemos nos alegrar nas próprias tribulações, porque elas terminam por nos infundir uma esperança que não nos decepcionará, uma vez que o amor de Deus é derramado em nossos corações (Rm 5:5). É como se o Apostolo dissesse, em harmonia com outros autores sagrados que, seguros nos braços de Deus, enfrentaremos as provações com esperança.

Porque o segredo da pérola não está no livramento, que a enfraqueceria, mas na certeza da Presença, que a fortalece.

E o que antes fora dor de crescimento, agora, em ambiente apropriado, manifesta-se como bem precioso. O que fora cisco incômodo e incompreensível, agora é orgulhosa realização; o que nasceu como corpo estranho, agora integra uma trindade de virtudes teologais, a dar lastro à nossa vida cristã.

Fonte: Ultimato

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